VW ID.Cross: como será o T-Cross elétrico para enfrentar os SUVs chineses

VW ID.Cross: como será o T-Cross elétrico para enfrentar os SUVs chineses

Presente no mercado global há cerca de oito anos, o T-Cross foi o primeiro SUV compacto de fato da VW e, como é de se imaginar, continua um modelo de grande importância para a marca. Com isso, não chega a ser uma surpresa que a grande aposta elétrica da VW para os próximos anos seja uma nova geração dele.  

Com previsão de chegada ainda este ano na Europa, o novo modelo deixará de lado a velha estratégia de apostar em números para seus elétricos, separando-os dos equivalentes a combustão. Deste forma, o ID.Cross - e também o ID.Polo - serão os primeiros dessa nova fase da marca.

Para o SUV, a ideia é que ele tenha preços partindo de 28.000 euros (R$ 141.400), ou cerca de 3.040 euros (R$ 15.352) a mais do que a atual versão de entrada do T-Cross por lá, a Trend (24.960 euros) e que traz um pacote bem semelhante ao da Sense vendida por aqui. A ideia é que ele tenha um papel importante e possa dar mais volume no segmento.


Como é 

Baseado na plataforma MEB+, uma evolução da utilizada no ID.4 e nos outros elétricos atuais da marca, o ID.Cross se diferencia dos BEVs atuais por trazer tração dianteira, tal qual seu equivalente à combustão. O SUV será oferecido sempre com um motor elétrico, disponível em três níveis de potência diferentes. 

Chamado de APP290 - nome que remonta a um dos propulsores mais famosos da marca - as versões mais simples utilizarão a calibração de 85 kW (116 cv), as intermediárias subirão para 99 kW (135 cv), enquanto no topo da cadeia ficará o de 155 kW (211 cv). No ID.Polo, já sabemos que a versão mais potente virá em uma versão GTI, mas ainda não há confirmação de que seguirá o mesmo caminho para o SUV.

A denominação faz referência à disposição do motor paralela ao eixo, além do torque máximo de 29,5 kgfm. O conjunto combina motor, uma transmissão de uma marcha e um inédito inversor, responsável pelo controle de potência e pela regeneração, convertendo a corrente contínua da bateria em corrente alternada para o motor elétrico.

Para o armazenamento de energia, a Volkswagen aposta na chamada célula unificada desenvolvida em conjunto com a empresa de baterias PowerCo. Ela é produzida em arquitetura cell-to-pack, na qual as células são integradas diretamente ao pack, sem módulos intermediários.


Duas baterias 


Estão previstas duas opções de bateria. A menor tem 37 kWh líquidos e utiliza células de lítio-ferro-fosfato (LFP). Ela pode ser carregada em corrente contínua (DC) com até 90 kW e, segundo projeção, alcança autonomia WLTP de até cerca de 316 km. A recarga de 10% a 80% deve levar aproximadamente 27 minutos.

A bateria maior tem capacidade de 52 kWh e é baseada em células de níquel-manganês-cobalto (NMC). Ela aceita até 105 kW em recarga DC, reduzindo o tempo de 10% a 80% para cerca de 24 minutos. A autonomia projetada é de até aproximadamente 436 km. Em pontos de recarga em corrente alternada (AC), a potência máxima é de 11 kW.

Dimensões mudam pouco 

Apesar de visualmente maior, o ID.Cross ainda se mantém como um compacto. O veículo mede 4.153 mm de comprimento, 1.794 mm de largura e 1.581 mm de altura. A distância entre-eixos é de 2.601 mm.

A geração atual, a combustão, mede 4.218 mm, 1.760 mm, 1.575 mm e 2.651 mm, respectivamente. Com isso, o modelo fica um pouco maior que o Volkswagen T-Cross em largura, altura e entre-eixos. Vale lembrar que o T-Cross brasileiro é maior do que os vendidos no exterior, que contam com entre-eixos similar ao do Polo, de 2.566 mm.

A maior distância entre-eixos e a arquitetura da plataforma elétrica permitem um conceito de espaço mais generoso. No porta-malas, a VW fala em 475 litros, número também maior que o T-Cross feito hoje na MQB.

Não sabemos se ele contará com o sistema do T-Cross de arrastar os bancos traseiros para aumentar o volume disponível na mala, algo que hoje aumenta o espaço em cerca de 47 litros. De qualquer forma, o SUV contará com um frunk, compartimento sob o capô dianteiro, que conta com mais 22 litros. 

Botões estão de volta 

Grande reclamação entre os proprietários dos elétricos atuais da marca, o interior do ID.Cross voltará às origens quando o assunto é comandos físicos. A ideia é que ele seja o mais funcional possível, seguindo uma organização horizontal em suas duas telas centrais. 

A primeira, atrás do volante, possui 10,25'' e tem opção de espelhar instrumentos retrô como você veria em um Gol GTI ou Santana dos anos 90, com instrumentação analógica e um relógio digital ao centro. Ele também pode ser personalizado para uma aparência mais moderna, seguindo o padrão já visto hoje nos atuais Active Info Display disponíveis em quase toda a linha.

Já no console central, como não poderia faltar, há uma central multimídia sensível ao toque de 12,9'', que se não possui as gigantescas dimensões das telas presentes no T-Roc ou no Tiguan, de 15'', ganha na combinação com comandos físicos em uma faixa de botões abaixo das saídas de ar.

Ela comanda as principais funções do ar-condicionado e é complementada por um botão giratório no console, que comanda as funções de áudio. Ainda no console, há um espaço para acomodar smartphones, dois porta-copos e um apoio de braço central com compartimento. O volante multifuncional concentra os controles de assistências à condução, multimídia e instrumentos digitais.

Três versões 

Como o foco é no volume, o ID. Cross será oferecido em diferentes níveis de acabamento. A versão de entrada, chamada Trend, traz de série recarga rápida em corrente contínua de até 90 kW. Acima dela, a Volkswagen posiciona as versões Life e Style. É o mesmo padrão que a marca utiliza para nomear o T-Cross - e o resto da linha - vendido em sua terra natal.

Desde a versão de acesso, a VW destaca como itens de série rodas de liga leve aro 18'', ar-condicionado de duas zonas, controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e câmera de ré. A Style acrescenta, entre outros itens, faróis LED do tipo Matrix, uma barra de luz iluminada na dianteira, lanternas traseiras 3D em LED e partida sem chave.

Não será dessa vez que a marca trabalhará com pacotes fechados. Desta forma, estão previstos como acessórios extras uma infinidade de recursos de conforto e tecnologia, como um sistema de som assinado pela Harman Kardon, com até 10 alto-falantes e subwoofer com potencial de 425 W.

Também serão oferecidos opcionalmente bancos dianteiros com ajuste elétrico em 12 vias e função de massagem. Para mais iluminação no interior, pode-se encomendar um teto panorâmico com dimensões de 740 × 905 mm, com persiana elétrica. Entre as funções técnicas, há ainda a possibilidade de fornecimento bidirecional de energia via Vehicle-to-Load. Por meio de um adaptador, dispositivos externos podem ser alimentados com até 3,6 kW. 

Na área de assistências ao motorista, será oferecido, entre outros, o Connected Travel Assist. O sistema auxilia no controle lateral e longitudinal do veículo e, pela primeira vez, também pode reagir a sinais de semáforo. Ao detectar um semáforo vermelho, o carro freia até parar completamente. A tecnologia de assistência é complementada por funções como One-Pedal Driving, em que a desaceleração é controlada majoritariamente pelo pedal do acelerador.


Vem ao Brasil?

Ainda é cedo para saber se a marca seguirá a receita de oferecer as duas variantes do T-Cross no mercado brasileiro. A versão a combustão, feita por aqui desde 2019, tem como feito ter sido o SUV mais vendido do país pelos últimos três anos de maneira consecutiva. Não é uma tarefa fácil.

De qualquer forma, é inevitável que a marca em algum momento também explore na região a venda de elétricos com maior capacidade de volume do que os atuais ID.4 e ID.Buzz, hoje oferecidos basicamente via sistema de assinatura.

Recentemente, executivos da alemã confirmaram ao Motor1.com Brasil que os planos de eletrificação para a região podem seguir a receita já vista por rivais, como a Chevrolet, que buscou na China modelos prontos ou com menor custo de produção como forma de conseguir ter elétricos mais baratos disponíveis na região. 

Um dos modelos confirmados através dessa sinergia com o país asiático é a nova geração da Amarok, que se baseará na picape SAIC Maxus Interstellar X, um modelo que está preparado tanto para a hibridização - propulsão já confirmada par a versão da VW - como também elétricos puros. Resta esperar.



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