Teste: novo Volkswagen Tiguan usa força de motor Audi contra SUVs chineses
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14/04/2026
Arroz com feijão, a base da dieta brasileira, é uma combinação que dá certo desde meados do século XVIII. Embora outros sabores tenham chegado como fruto da globalização, o brasileiro se acostumou com esta receita — e se deu certo, para que mudar? É nisso que o Volkswagen Tiguan R-Line 2027 aposta neste retorno, agora em sua terceira geração.
É um patamar próximo ao de concorrentes como GWM Haval H6 PHEV34 , BYD Song Plus Premium , Caoa Chery Tiggo 8 PHEV e GAC Hyptec HT Elite . Estes têm o tempero oriental da eletrificação, pois são oferecidos com conjuntos mecânicos plug-in (PHEV).
O novo Volkswagen Tiguan R-Line 2027 mostra que, para disputar em alto nível com uma proposta simples, não se pode dar o luxo de errar a receita. Por isso, apesar de não ter eletrificação, aposta na força do mesmo motor 2.0 turbo a gasolina do Audi A5, com 272 cv, e tração integral. Será que vai dar certo?
A começar pelo novo visual, o mais agressivo que o Tiguan já teve em seus quase 20 anos de história: os faróis de LED são interligados por uma grade luminosa, assim como as lanternas traseiras, que receberam um filete. Nos dois casos, o logotipo da Volkswagen acende: branco na região frontal; vermelho na parte traseira. As rodas, calçadas por pneus 255/45 R19, incorporam o desenho de uma “estrela ninja”, mesclando acabamento preto e aço escovado.
Com as mudanças, o Tiguan, que sempre foi um carro chamativo, tem tudo para atrair ainda mais atenção. O jogo de luzes ficou muito bonito, especialmente durante a noite, quando os LEDs compõem um aspecto muito interessante. Aos que diziam que a Volkswagen andava careta no design, eis uma resposta assertiva. E o melhor: sem perder a essência da identidade visual da marca.
Volkswagen Tiguan 2027: dimensões, porta-malas e equipamentos
Em comparação com a geração anterior, o novo Volkswagen Tiguan 2027 tem as seguintes dimensões: 4,70 metros de comprimento (-3 cm), 1,87 m de largura (+3 cm), 1,69 m de altura (+3 cm) e os mesmos 2,79 m de distância entre-eixos. Com 1,85 m de altura, me acomodei bem no banco traseiro, mantendo cerca de um palmo entre os meus joelhos e o assento frontal.
A cabine do Volkswagen Tiguan 2027
Já a parte frontal da cabine faz os olhos brilharem. Aqui o Tiguan traz o tempero alemão da Audi para condimentar sua montagem, mesclando borracha, couro sintético de excelente qualidade (preto e marrom), costuras aparentes e até madeira. A textura lembra um piso laminado, pois é possível sentir suas fibras nas pontas dos dedos. Este bom acabamento acompanha as portas dianteiras, mas não as traseiras, onde o soft-touch emborrachado dá lugar ao plástico duro.
Quanto ao nível de tecnologia, a evolução é digna de espantar até os donos de carros chineses. A começar pela central multimídia de 15 polegadas, que tem excelente resolução e um layout intuitivo, com pareamento sem fio por Android Auto e Apple CarPlay.
Na pegada chinesa, o Tiguan incorporou pela primeira vez os comandos do ar-condicionado à tela principal. Mas calma que os ajustes ficam fixados em uma base no pé da central. Também é possível acompanhar informações do computador de bordo e até acionar a ventilação e os massageadores dos bancos frontais (parece que há um gato "amassando pão" nas suas costas). O sistema só peca por não reproduzir uma visão 360° do veículo ao manobrar, nem uma projeção 3D do carro visto de fora.
Para desobstruir o console central (onde há porta-copos, freio de estacionamento eletrônico e um botão giratório para controlar o volume do som), a Volkswagen posicionou a alavanca de câmbio na coluna de direção. Curiosamente, os comandos estão invertidos: deve-se apontar para cima ao acionar o “D” e para baixo no caso do “R”. Demora para se acostumar, mas depois fica intuitivo.
Volkswagen Tiguan 2027: como anda, consumo e pacote de segurança
Estive ao volante do novo Volkswagen Tiguan R-Line 2027 por 200 km, num bate-volta entre São Paulo e Atibaia, no interior do estado, para conhecer o motor 2.0 turbo de quatro cilindros a gasolina, com injeção direta, capaz de desenvolver 272 cv de potência e 35,7 kgfm de torque. Se os números parecem familiares, é porque este conjunto também equipa o Audi A5 lançado no ano passado.
- Motor: 2.0, turbo, quatro cilindros, injeção direta, gasolina
- Potência: 272 cv a 5.500 rpm
- Torque: 35,7 kgfm a 1.900 rpm
- Câmbio: automático, oito marchas
- Tração: integral sob demanda
- Consumo (Inmetro): 8,9 km/l (cidade), 12,1 km/l (estrada)
No pouco que conduzi na cidade, fiquei surpreso com o excelente isolamento acústico. O motor aparenta estar desligado de tão suave que é o funcionamento, sem vibrações ou ruídos incômodos. Já a suspensão (McPherson na dianteira, multilink na traseira) é competente e impede que a carroceria chacoalhe muito nas ruas menos conservadas, trazendo um ajuste com pouco curso, mas ainda maleável.
É o que segura o SUV nas curvas rápidas, já que ele acelera de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos, segundo a Volkswagen. Uma característica que me incomoda nos SUVs chineses é a anestesia ao volante. No Tiguan é o oposto, pois a direção responde rapidamente aos estímulos mais discretos.
Da mesma forma, o pacote Adas de segurança ativa funciona melhor que a média dos SUVs chineses, pois o Tiguan não emite alertas desnecessários nem dá sustos no motorista. Controle de cruzeiro adaptativo (ACC), sensores de ponto cego, frenagem autônoma emergencial e assistente de permanência em faixa são itens que marcam presença.
Ao chegar na estrada, noto que o som do vento irrompendo a carroceria se torna mais alto a 120 km/h. Já o rolamento das rodas e o ruído do motor continuam atenuados graças ao bom isolamento acústico. Embora o câmbio seja por conversor de torque e não de dupla embreagem, sua reatividade garante retomadas e ultrapassagens com segurança, e os motoristas mais apressados podem usar os paddle-shifters atrás do volante para adiantar o processo.
Comprovado o bom desempenho, passei a conduzir com menos exaltação para extrair os resultados de consumo do Tiguan. O Inmetro declara 8,9 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, mas pude chegar à boa média de 13 km/l no trajeto rodoviário com ar ligado. Claro que o número em ciclo urbano passa longe de um SUV híbrido plug-in e se mostra uma das maiores limitações do novato.
Contudo, o consumo do Tiguan na estrada foi melhor que os 12,1 km/l que extraímos com o Song Plus híbrido, mostrando que, apesar de não ser eletrificado, o SUV da Volkswagen é mais econômico que o BYD durante viagens mais longas. Ou seja, em ambiente rodoviário, quando o motor elétrico é menos acionado, não ter que carregar 500 kg de bateria é uma vantagem para o Tiguan.
Também notei como este SUV médio está confortável, o que já era uma característica da geração anterior: o banco dianteiro oferece boa sustentação para o corpo (ainda mais com a função de massagem acionada) e o volante tem ótima empunhadura. Nesta faixa de preço, o Tiguan é mais gostoso de guiar do que qualquer SUV chinês da concorrência.
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