História: VW Polo Classic, o sedã que foi vendido no Brasil nos anos 1990

História: VW Polo Classic, o sedã que foi vendido no Brasil nos anos 1990

Carros compactos com porta-malas “saliente” muitas vezes não são exatamente um prato cheio para quem liga para estética. É simples: quanto mais longa é um sedã clássico, mais elegante ela tende a parecer — basta olhar para um Jaguar XJ antigo. Já com pouco mais de quatro metros de comprimento, costuma acontecer o oposto. O compartimento de bagagem fica com cara de mochila.

Isso foi especialmente verdadeiro em sedãs pequenos e compactos da VW. Fosse o segundo Derby ou o Vento (Jetta): o porta-malas sempre começava acima da linha inferior das janelas. Mesmo assim, em Wolfsburg insistiram por bastante tempo nesse conceito. Hoje ainda existe o Virtus, que nada mais é do que um Polo com porta-malas, restrito a mercados como o Brasil.

Há 30 anos, isso era diferente. O Polo Classic, oferecido globalmente a partir de outubro de 1995 como variante com porta-malas e com 4,14 m de comprimento, vinha da produção espanhola e era baseado na plataforma maior do Seat Córdoba.

Com isso, ele oferecia não apenas mais espaço interno, mas também mais espaço sob o capô: isso permitiu a instalação do novo turbodiesel 1,9 litro com 90 cv. Como alternativa, vinha com o motor 1,4 litro (60 cv) e o 1,6 litro com 75 ou 100 cv. Quem queria economizar podia optar pelo diesel aspirado com 64 cv. Aceleração: 16,7 s. No Brasil, usava o clássico AP 1.8 de 99,1 cv e 15,1 kgfm.

Enquanto a Seat chegou a oferecer até versão de duas portas, a VW ficou restrita às quatro portas. E, ao contrário do Polo convencional com suas cores chamativas típicas dos anos 1990 — como “Pistache” (até chegar ao Harlequin) —, no Classic a marca apostou em tons mais discretos. Azul-escuro, verde-escuro, e apenas o “Electronicgreen Metallic” como um desvio mais fashion. Afinal, o público-alvo era bem definido: sem dizer isso abertamente, a ideia era atrair clientes mais velhos, com preferência por sedãs. 


Naturalmente, exaltava o imenso porta-malas: 455 litros e, com o banco traseiro rebatido, 762 litros. Também eram destacados a galvanização de algumas partes da carroceria com proteção de cavidades, além dos airbags de série para motorista e passageiro na Europa.

Citações de maio de 1996: “o sedã esportivo” e “prazer ao dirigir puro”. A VW falava sério. Quase dá para se perguntar por que, afinal, nunca existiu um Polo Classic GTI. Ainda assim: o motor de 100 cv disponível (com 140 Nm3.500 rpm) não era lento, inclusive por conta do baixo peso em ordem de marcha, de apenas 1.080 kg0 a 100 km/h em 10,7 s, e 0 a 80 km/h em 7,3 s. Essa versão custava orgulhosos 28.450 marcos, cerca de 2.000 marcos a mais do que o Polo 16V normal com 100 cv. E por mais 200 marcos já dava para levar um Golf 1.6 com a mesma potência. 



Hoje em dia, o Polo Classic leva uma vida de absoluto coadjuvante. Até o Polo 6N hatch, muito mais comum, tem poucos interessados; pelo Classic, então, ninguém parece se importar. Embora seja possível encontrar por aí boas opções de carro “para aposentado” a preços baixos. Pode apostar: daqui a 15 anos, muita gente ainda vai virar o pescoço ao ver um Polo Classic.   

No Brasil

Para o nosso mercado, o VW Polo Classic foi produzido na Argentina de 1996 a 2002, com direito a uma reestilização em 2000. Foi o primeiro contato do nosso mercado com um produto da linha Polo, que foi nacionalizado em 2002 já em uma geração mais moderna, com carroceria hatch e sedã. 

Usava o conhecido motor 1.8 aspirado, AP, com 99,1 cv e 15,1 kgfm, sempre com câmbio manual de 5 marchas. Não é peça comum nas ruas, mas merece a atenção de colecionadores de modelos dos anos 1990, principalmente as raras unidades com teto-solar.


Fonte: https://motor1.uol.com.br/features/789813/historia-vw-polo-classic-brasileiro/

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